Em 2012, siderúrgicas dependem de competição com China e procura no Brasil
 

SÃO PAULO - Durante todo o ano de 2011, o setor siderúrgico permaneceu sob pressão no Brasil. Os principais motivos foram as constantes altas no preço do minério de ferro, o principal insumo usado nesta indústria, e também a menor demanda externa em um cenário de expansão mais contida das economias ao redor do mundo, afetadas pela crise na Europa.
Analistas são consensuais ao afirmar que as perspectivas não são as melhores para o ano que se inicia. Isso porque, apesar de os estoques globais estarem em níveis baixos, a demanda brasileira é esperada em níveis menores durante os próximos trimestres. O problema é que os produtos dentro do País começaram a sofrer uma concorrência mais acirrada com os importados, ainda pior por conta da agressividade dos chineses.
“Na China, a siderurgia é estatal, eles não vão parar, não se importam com rentabilidade”, explica Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW. Em novembro, no entanto, os estoques subiram drasticamente pela falta de procura, e a nação começou a produzir menos. Isso poderia trazer oportunidades para as companhias nacionais, mas ainda há muita incerteza em torno do setor.

Depende da China

Victor Penna, analista do BB Investimentos, diz que mercados emergentes, como o chinês, são preponderantes na hora de analisar as perspectivas da siderurgia, porque a expansão nesse negócio em países desenvolvidos já é bem mais restrita. O patamar de novas construções nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, atualmente está reduzido em relação à décadas anteriores, pois já são economias mais maduras.
Assim como na mineração, portanto, é a indústria chinesa que dita o rumo do negócio. A projeção do BB para o crescimento da produção de aço no país é de 6%, mesmo patamar divulgado pela Fator Corretora. No âmbito doméstico, o IABr (Instituto Aço Brasil) estima esse avanço em 6,3%, mas com uma contínua pressão sobre os preços da commodity.
A Planner Corretora, por exemplo, acredita que, com os produtos básicos seguindo a tendência da inflação, a produção de aço seja impactada e a precificação não possa ser alterada, já que o consumo já está reduzido pelo mundo.

Siderúrgicas com mineração

Como o preço do minério de ferro tende a voltar a uma tendência de valorização neste ano, especialistas indicam investimento em ações de siderúrgicas que tenham em sua operação também a exploração da matéria-prima. A principal empresa no Brasil nesse sentido é a CSN (CSNA3), que já se tornou autossuficiente no segmento, e ainda produz excedente para melhorar seu balanço vendendo o produto.
A questão que fica, na visão de Galdi, da SLW, é que a CSN, na verdade,é forte na fabricação do aço plano, cujos preços e demanda estão mais pressionados e com perspectivas piores do que o aço longo. Por isso, sua top pick do setor é a Gerdau (GGBR4), que é especialista no aço longo. A demanda dos Estados Unidos pelo tipo de insumo também vai beneficiar as receitas da empresa, segundo o analista.
Por fim, um papel para ficar de olho é o da Usiminas (USIM3, USIM5), que já apresentou margens baixas durante 2011, e deve continuar com uma operação não tão rentável durante 2012. Isso porque sua dependência, tanto do ferro como do carvão mineral para a produção, é alta, e, mesmo que ela invista para conseguir se livrar desse cenário, o segmento de minério só se consolidaria a partir de 2014.
Existe, porém, uma possibilidade de aumentar o potencial de valorização para a companhia. Com o auxílio da Nippon Steel, sua controladora, a mineira se utiliza da tecnologia de chapa grossa que vem do Japão, que seria perfeita para a exploração do pré-sal brasileiro. “O problema é que o governo anda atrasando muito esses projetos”, lembra Galdi. Essa demora, portanto, pode fazer com que o impacto positivo não aconteça neste ano.

 

09/01/2012 - Fonte: Infomoney